terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SOZINHO

Por: Flávio Gikovate

Tenho insistido no fato de que todos nós temos uma sensação de buraco, de que falta alguma coisa. Temos, pois, um sentimento de inferioridade, que é universal. Ele está presente em todas as pessoas, inclusive naquelas que se mostram autoconfiantes e orgulhosas de si mesmas; são apenas criaturas mentirosas, além de competentes em artes cênicas.

Foi a constatação dessa sensação que levou o poeta a afirmar: "é impossível ser feliz sozinho". Ou seja, a sensação da harmonia que buscamos só poderá ser encontrada a dois, na união amorosa. Essa foi também a posição que assumi nos últimos vinte anos. Defendi o amor romântico, a aliança intensa e forte entre um homem e uma mulher, como o grande remédio para o desamparo que nos acompanha. Ressaltei que a sensação de desamparo vinha aumentando, pois, até algumas décadas atrás, o aconchego era resultado da forte aliança que unia as famílias em clãs.

As grandes famílias rurais, cheias de filhos, sobrinhos e tios, crentes em Deus e que, juntas com outras famílias, formavam comunidades onde todos se conheciam, traziam grande atenuação para o desamparo. É claro que tudo tem um preço. Nesses grupos não havia espaço para a individualidade, opiniões divergentes ou excentricidades.

A vida nas grandes cidades é hoje bem mais livre e tolerante para com o exercício de uma forma pessoal de ser. Por outro lado, a sensação de solidão cresceu muito. Usamos essa palavra – de forte conotação negativa que provoca pavor só de ser pronunciada – para definir a dor que deriva de nos sentirmos incompletos. Acho que a solidão envolve também uma certa vergonha, como se a pessoa sentisse menos competente para encontrar um parceiro. Poderia, porém, ser diferente: talvez deveríamos ter orgulho da nossa capacidade de ficar sós, coisa difícil e que nem todo mundo consegue.

O amor romântico apareceu como o grande neutralizador da solidão crescente, que chegou com a industrialização e com a migração para os centros urbanos. No passado, o casamento se realizava por meio de arranjos familiares; agora, é fruto do amor, da escolha voluntária dos jovens, mais donos de suas vidas e seus destinos. O amor apareceu – e foi louvado por todo mundo, inclusive por mim – como o grande remédio para o nosso desamparo, como algo que nos permite sentir a completitude e a harmonia perdidas, mas presentes em algum canto na nossa memória.

Na prática, porém, as coisas não vêm se passando exatamente como prevíamos. O conto de fadas, no qual embarcamos, tem esbarrado em vários obstáculos. O maior deles deriva de uma tendência para o crescimento da nossa individualidade. Continuamos sonhando com o amor, é verdade; mas estamos cada vez menos dispostos a fazer concessões, a ceder às pressões do parceiro. O desejo romântico quer o par sempre junto, ao passo que cada indivíduo pode estar interessado em ir para uma direção diferente. Aí se trata uma inevitável e cansativa luta pelo poder, na qual ninguém fica satisfeito.

É nesse ponto das reflexões que me fiz uma pergunta: somos mesmo incompletos ou apenas nos sentimos assim? Confesso que fiquei meio atrapalhado, perturbado mesmo, quando deparei com uma resposta óbvia, mas que jamais tinha me ocorrido. A sensação de incompletitude não é obrigatoriamente a expressão de um fato. O trauma do nascimento nos marca e provoca essa sensação. Mas somos indivíduos inteiros e completos. Pensar assim poderá nos conduzir a uma fascinante aventura. Vamos nos aprofundar um pouco nessa trilha nas próximas colunas.

Instituto de Psicoterapia em São Paulo: http://www.flaviogikovate.com.br/ http://an.locaweb.com.br/Webindependente/autoconhecimento/impossivel.htm

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

BRUXARIA, SEXUALIDADE E INQUISIÇÃO

A Repressão Sexual Nos Limites Da Loucura: Uma Introdução À História Da Inquisição

Autor: Géssica Hellmann

O objetivo deste artigo é abordar introdutoriamente uma lacuna apresentada em artigos anteriores, abordando "algumas variáveis" empregadas pela Inquisição para definir o que era "bruxaria" no âmbito da sexualidade.

Primeiramente, apresentarei uma breve revisão histórica da Inquisição, demonstrando como divindades antigas foram demonizadas pelo cristianismo e o processo pelo qual vários fenômenos naturais foram atribuídos à bruxaria. Neste artigo, uso como referência o próprio manual dos inquisidores, "Malleus Maleficarum - O martelo das Feiticeiras", dos inquisidores Kramer e Sprenger (1991). Como fonte secundária, Byington (1991) em seu prefácio na tradução do "Martelo das Bruxas", Bataille em "O Erotismo" (1980), Seligmann (1948) em "História da Magia" e, por fim, "A Inquisição" de Baigent e Leigh (2001).

Segundo Baigent e Leigh (2001), a Inquisição existe até hoje, transformada atualmente em "Doutrina da Fé", desempenhando um papel de destaque na vida de milhões de católicos no mundo. Em sua origem, a Inquisição teria sido um produto de um mundo "brutal, insensível e ignorante" (p. 15). Para compreendê-la em todos os seus excessos, não podemos ter a presunção de julgar o passado com os critérios do que seria "politicamente correto" em nosso tempo.


Porém, identificar a Inquisição com a Igreja como um todo seria um erro. Pois mesmo em seus períodos mais cruéis, a Inquisição foi obrigada a lutar com outras faces mais humanistas, dentro da própria Igreja. Outro ponto importante a destacar, é a energia criativa que a Igreja inspirou, na música, pintura, escultura, arquitetura e arte em geral, o que representa um contraponto para as fogueiras e torturas da Inquisição.


Os alvos primários da Inquisição medieval na França e Itália haviam sido os hereges cristãos, como os cátaros, waldenses e os franticelli, ou "supostos" hereges como os Cavaleiros Templários, alvo aparentemente mais visado pela sua riqueza do que por suas idéias. A Inquisição Espanhola, ao contrário das que a precederam, não foi um instrumento do Papado, mas dos monarcas espanhóis. Seus alvos primários eram os muçulmanos e judeus e, mais tarde, a Inquisição foi levada ao Novo Mundo, para caçar e punir a heresia, assegurando a "pureza da fé católica".

Embora exista pouca documentação em apoio a esta hipótese, parece ter havido uma tradição segundo a qual os funcionários da Igreja, nas sessões de tortura, não deveriam derramar sangue, podendo, no entanto, utilizar outros métodos de tortura física e psicológica. A Inquisição logo criou uma maquinaria de intimidação e controle extremamente eficiente, podendo ser encarada como uma precursora da policia secreta de Stalin, da SS, da Gestapo Nazista e de outros aparelhos repressivos do século XX.


Enquanto a fumaça das fogueiras da Inquisição expandia-se da Península Ibérica ao Novo Mundo, a original, sob o controle do Papa, mantinha-se produtivamente ocupada em outras partes da Europa.

Para compreender a origem da "caça às bruxas" pela Inquisição, é importante retornar um ao passado, antes do domínio do cristianismo. Na era pré-cristã, os domínios do Império Romano haviam reconhecido o deus Pã como a divindade suprema que presidia o mundo natural. Representado com chifres, cauda e cascos de bode, implacável, gozava de prerrogativas particulares em questões da sexualidade e fertilidade. Posteriormente sobre a autoridade da Igreja, foi oficialmente caracterizado como entidade satânica.

Com o colapso do Império Romano, muitos camponeses europeus continuaram e a reconhecer a divindade de Pã, e outras divindades, como Diana, mantiveram-se em circulação, apesar do advento do cristianismo. Os camponeses europeus podiam ir à Igreja aos domingos, assimilar num certo ponto os ritos e a doutrina de Roma, mas continuavam a deixar pires de leite e outras oferendas para aplacar as antigas forças à espreita nas florestas. Muitos se esgueiravam nas datas certas do ano para os "Sabás das Bruxas" - a observância pagã de solstícios e equinócios, ritos de fertilidade, festividades em que deuses da velha religião figuravam, embora de forma disfarçada e cristianizada.

Na imaginação do Inquisidor, durante o Sabá, o demônio reunia suas bruxas fazendo-as voar desde locais distantes. Nos rituais, elas cultuavam o cultuariam sob a forma de um bode, beijando-o no traseiro em meio a cantos e danças frenéticas, com grande permissividade sexual, inclusive de homossexualidade acompanhada de antropofagia de crianças mortas (Byington, 1991).

As orgias dos povos arcaicos são habitualmente interpretadas num sentido que tende a reduzi-las a ritos de magia contagiosa. Aqueles que praticavam acreditavam, realmente, que elas permitiam a fecundidade dos campos. A orgia, em que se mantinha, para lá do prazer individual, o sentido sagrado do erotismo, veio a ser objeto de uma particular atenção por parte da Igreja. A morte nas chamas era prometida a todo aquele que se recusasse a obedecer e que extraísse do pecado o poder e o sentimento do sagrado (Bataille, 1980).


Em todas as aldeias, havia pelo menos uma velha sábia, que entendia de ervas, meteorologia e possuía habilidade de parteira. As camponesas confiavam mais nas sábias senhoras do que nos raros médicos disponíveis, ou na própria Igreja. Era a ela, mais que ao padre, que consultavam em questões como o clima, a colheita, a saúde do gado, a saúde pessoal e a higiene, sexualidade, fertilidade e parto. Em virtude disso, muitos deuses antigos foram "demonizados", e outros, como a deusa irlandesa Brígida, padroeira do fogo, foram efetivamente santificados.

Com a Inquisição, a Igreja passou a adotar uma política mais agressiva contra o paganismo, abolindo a antiga tolerância, dando lugar à perseguição, classificando a crença em bruxaria ou feitiçaria como heresia.

Não somente a loucura, mas até explosões de raiva ou histeria, seriam atribuídas a possessões demoníacas. Os sonhos eróticos eram atribuídos a visitas de íncubos (demônios masculinos) ou súcubos (demônios femininos). A polução noturna era, muitas vezes, atribuída a tais relações com esses seres incorpóreos. As parteiras tradicionais - "sábias" das aldeias - foram tachadas de bruxas.

Até o final do século XV, porém, a Igreja negava oficialmente a realidade da bruxaria. No que dizia a respeito à Igreja, a bruxaria era uma ilusão disseminada pelo diabo. O pecado consistia, portanto, não na própria bruxaria, mas em nela acreditar. Mas a posição da Igreja, mudou radicalmente em 1484, na Bula de Inocêncio VIII, em que a realidade da bruxaria se torna oficial:

"De fato, chegou-nos recentemente aos ouvidos, não sem que nos afligíssemos na mais profunda amargura, que em certas regiões da Alemanha do Norte, (...) muitas pessoas de ambos os sexos, a negligenciar a própria salvação e a desgarrarem-se da Fé Católica, entregaram-se aos demônios, a Íncubos e a Súcubos, e pelos seus encantamentos, (...) e por outras também amaldiçoadas monstruosidades e ofensas hórridas, tem assassinado crianças ainda no útero da mãe, além de novilhos, e têm arruinados produtos da terra, as uvas das vinhas, os frutos das árvores... e impedem os homens de realizarem o ato sexual e as mulheres de conceberem, ... E não obstante Nossos queridos filhos Henry Kramer e James Sprenger, ... tenham sido por Cartas Apostólicas delegados como Inquisidores de tais depravações heréticas, (...) pela Nossa autoridade suprema, conferimos-lhes poderes plenos e irrestritos." (Kramer e Sprenger , 1991, p.43-45)

Aproximadamente dois anos após serem citados na Bula de Inocêncio VIII, Kramer e Sprenger, produziram um livro, "Malleus Maleficarum".
Esse livro, segundo Baigent e Leigh (2001), encontra-se certamente entre as mais obscenas obras já produzidas em toda a história da civilização ocidental. Em detalhes chocantes e muitas vezes pornográficos, o "Malleus" se propõe a esclarecer as supostas manifestações da bruxaria. Com uma obsessão que se trairia de imediato para qualquer psicólogo moderno, o texto concentra-se na idéia da cópula diabólica e de várias outras formas de experiência erótica e atividade sexual atribuíveis pela imaginação contaminada pela força demoníaca.
Byington (1991), afirma que o "Malleus" é uma das páginas mais terríveis do Cristianismo, um verdadeiro manual de ódio, de tortura e de morte, no qual o maior crime é o cometido pelo próprio legislador ao redigir a lei.

O livro é dividido em três partes. A primeira cuida de enaltecer o demônio, ligando suas ações à bruxaria; a segunda ensina como reconhecer e neutralizar a bruxaria e, a terceira, descreve os julgamentos e as sentenças.

O "Malleus" é militantemente misógino, ou seja, os autores demonstram uma aversão às mulheres que beirava a demência. O livro consolidava definitivamente o desprezo pela figura da mulher. Segundo eles, deve-se culpar a mulher, na verdade, por praticamente tudo: "Toda bruxaria vem de luxúria carnal, que na mulher é insaciável". (Baigent e Leigh, 2001:128).

O Malleus também é cruel com as moças seduzidas e abandonadas: "Depois de as moças serem corrompidas e abandonas pelos amantes ..., e vendo-se na mais completa desesperança... voltam-se para os demônios, em busca de auxílio e proteção." (Kramer e Sprenger, 1991:211)
Umas das questões abordadas no Malleus era o fato que os praticantes de bruxaria, em sua maioria, eram mulheres. Esse "fato" era explicado por serem, por natureza, mais impressionáveis do que os homens, mais propensas a receber influências demoníacas, linguarudas, fracas na mente e no corpo, incapazes de guardar segredos e, portanto, tendentes a contar tudo sobre o que aprenderiam da arte do mal às amigas.

Outra questão abordada é a de se as bruxas são capazes de impedir o ato venéreo. Pedro de Palude, segundo os autores do Malleus, afirmaria que o demônio, por seu espírito, seria capaz de impedir que os corpos se aproximassem um do outro, direta ou indiretamente, interpondo-se sob alguma forma corpórea. Ele relata o caso de um jovem que, embora tivesse casado com uma jovem donzela, já havia se comprometido com um falso deus e, conseqüentemente, não conseguiu, depois de casado, copular com a donzela. Este mesmo autor afirma que o demônio é capaz de ora excitar, ora esfriar os homens, no seu desejo, através de elementos secretos. Afirma ainda que o demônio é até capaz de impedir a ereção do membro viril do homem.

Da impotência masculina, os autores do Malleus admitem que existe impotência por "falha natural", mas que existe um modo de diferenciar a impotência natural da atribuída à bruxaria: "Quando o membro não fica ereto de forma alguma, e nunca é capaz de realizar o coito, tem-se então o sinal de impotência natural; todavia, quando se excita e fica ereto, mas mesmo assim não consegue realizá-lo, tem-se então o sinal de impotência por bruxaria". (Kramer e Sprenger, 1991, p.137)

Pode-se dizer que os processos inquisitoriais sobre acusações de bruxaria enfocavam, principalmente, os corpos das bruxas: "Enquanto os oficiais se preparam para o interrogatório, que a acusada seja despida; se for mulher que primeiro seja levada a uma das células penais e que seja lá despida por mulher honesta de boa reputação. Eis o motivo: cumpre vasculhar-lhe as roupas em busca de instrumentos de bruxaria a elas costurados; pois muitas vezes portam tais instrumentos, por instrução dos demônios...". (Kramer e Sprenger, 1991:431-432).

As acusadas eram posteriormente amarradas e torturadas. Os métodos de interrogatório eram de uma crueldade física e psicológica ímpar: "Durante o intervalo, antes da sessão de tortura seguinte, o próprio juiz ou outros homens honestos deverão tentar persuadi-la, por todos os meios que estiverem a seu alcance, para que confesse a verdade da forma que dissemos, dando-lhe, se lhes parecer conveniente a promessa de que sua vida será poupada". (Kramer e Sprenger, 1991, p.435).

Prometiam a diminuição da pena para que confessassem, mas raramente a cumpriam, e mesmo a quem era concedido o benefício da prisão perpétua, alguns meses após o julgamento a sentença era comutada para a pena de morte na fogueira.

Caso as ameaças nem as promessas resultassem em confissões, "então os oficiais devem prosseguir com a sentença, e a bruxa deverá ser examinada, não de alguma forma nova ou estranha, mas da maneira habitual, com pouca ou muita violência, de acordo com a natureza dos crimes cometidos". (Kramer e Sprenger, 1991:433).

Inúmeros outros métodos são descritos no "Malleus Maleficarum". Todos de extrema violência. Mas é importante entender que os Inquisidores da época realmente acreditavam no que pregavam, embora também seja fato que muitos foram levados pela ganância e pela corrupção, pois se sabe que os bens dos acusados de heresia eram confiscados.

Seligmann (1948) descreve vários episódios atribuídos à possessão demoníaca. Um dos relatos refere-se ao Convento de Loudun, na segunda década do século XVII. Logo após Joana dos Anjos assumir a direção do convento, apareceu em Loudun um padre chamado Urbano Grandier. Segundo o autor, "brilhantemente dotado", Grandier logo se tornou o pároco da região, acabando por atrair sobre si o interesse das senhoras. Tornou-se famoso por sua arte de consolar viúvas e confortar moças solteiras com métodos não inteiramente de acordo com a ortodoxia do sacerdócio.

Seduziu a filha do procurador régio e, mais tarde, conheceu Madeleine de Brou, filha do conselheiro do rei, que compôs em honra de Grandier um espirituoso tratado contra o celibato dos padres. Tais escândalos chegaram ao ouvido de Joana dos Anjos, que começou a ter "sonhos pecaminosos". Sua perturbação psíquica agravou-se a um ponto em que começou a ter ataques histéricos noturnos no convento. Pediu ajuda às freiras para que a flagelassem. Pouco depois, várias outras feiras começaram a sofrer alucinações parecidas com as de Joana. Vários exorcistas foram enviados para o convento a fim de trazer a paz. Grandier foi acusado de enfeitiçar as freiras. Os exorcistas obrigaram os "demônios" a assinar documentos comprovando a culpa de Grandier. A 30 de junho de 1634, Urbano Grandier foi condenado e queimado vivo.

Outro episódio descrito pelo mesmo autor é os das internas do claustro de Antoinette Bourignon. As internas eram mantidas sob rígida disciplina, tratadas com muito rigor, conforme os hábitos e perspectivas da época. Antoinette relata que, todas as sextas-feiras, as internas deveriam se humilhar, confessando as suas faltas na grande sala pública, ritual seguido de flagelação ou reclusão num aposento denominado "prisão". Uma das moças, com menos de quinze anos, certo dia abriu a porta da prisão e regressou à sala de aulas. Por esse motivo, foi acusada de bruxaria. A moça declarou, então, ter sido ajudada por um homem negro. Foram chamados três padres, os quais concluíram que ela estava possuída por um demônio. Antoinette declarou que, ao "levá-la para sua câmara, ela revelou tratar-se do demônio um belo jovem, um pouco mais alto que ela". Esses demônios devem ter agradado tanto as jovens internas que, pouco tempo depois, trinta e duas delas falavam de seus jovens demônios-homens, os quais se mostravam amáveis para com elas, acariciando-as dia e noite.

Sobre esses dois episódios, cabe uma indagação: qual o limite entre a atividade "demoníaca" e da fantasia, do erotismo, ou até - quem sabe? - de abuso sexual por parte de aproveitadores?

Na visão do psiquiatra Byington (1991), a Inquisição se julgava megalomaniacamente purificadora e projetava de forma paranóide sua própria sombra, ou seja, seus complexos culturais inconscientes. Não só não repudiavam o humanismo cristão, como se fundamentavam nele para perpetuar seus crimes.

Por fim, o "Malleus" interpreta como bruxaria qualquer comportamento que seus autores clericais não pudessem explicar, muitas vezes, comportamentos associados aos efeitos de drogas como o esporão de centeio ou cogumelos "mágicos", um simples banho de sol ou até a masturbação feminina. Na prática, qualquer coisa arbitrariamente considerada hostil à Igreja poderia ser rotulada como demoníaca
Nesses períodos, o diabo era, de fato, descendente do Pã, o "senhor da natureza irredimida". Foi nos ritos irracionais, e muitas vezes sexuais, da religião pagã, sobretudo os Sabás, que a Inquisição buscou identificar o "adversário" do cristianismo.
Para Baigent e Leigh (2001), a igreja sempre fora mais que um pouco inclinada à misoginia. A caça às bruxas forneceu-lhe um mandado para uma cruzada em larga escala contra as mulheres, contra tudo o que era feminino, impondo um controle autoritário sobre as mulheres que as tornou subordinadas, mantendo-as no lugar que se julgava apropriado.
Em resumo, as idéias fundamentais da Inquisição eram a de que o demônio, procurando fazer o mal aos homens, o faria através do corpo, através do controle da sexualidade. Pois foi pela sexualidade que o primeiro homem pecou e, portanto, a sexualidade é o ponto mais vulnerável de todos os homens. Como as mulheres seriam mais suscetíveis ao erotismo e à sexualidade, tornar-se-iam alvos fáceis para a corrupção e a bruxaria.
Com o final da caça as bruxas, processa-se uma grande transformação no universo feminino: a sexualidade é normatizada, tornando-se frígidas as mulheres. A sociedade do final do século XVIII é composta de trabalhadoras dóceis que não questionam o sistema.
Como ponto final, gostaria de deixar em aberto, uma reflexão: em todo o estudo "militante" sobre a sexualidade, tende-se a deixar de lado a realidade das doenças sexualmente transmissíveis. Até meados do século, a maioria dessas doenças permanecia sem tratamento ou perspectiva de cura. Não me atrevo a me posicionar quanto os valores e aos procedimentos da Inquisição, nem quanto à repressão sexual indiscriminada que descrevemos nesses estudos, mas de certa forma, julgo não ser possível ignorar que esses atos poderiam incluir em seus objetivos, de uma forma ou de outra, uma tentativa de controle sobre a disseminação dessas doenças.

Artigo publicado originalmente na Revista Sexualidade
http://www.artigonal.com/ciencia-artigos/a-repressao-sexual-nos-limites-da-loucura-uma-introducao-a-historia-da-inquisicao-367164.html
Perfil do Autor
Artista Plástica, Designer, Pesquisadora sobre Arte, Sexualidade e Corporalidade. Editora do Géh e do blog Dicas de Arte

sábado, 3 de dezembro de 2011

Simpatia para os nativos de câncer, escorpião e peixes

Para reciclar as energias de 2011 e ter mais equilíbrio, sorte e amor em 2012, os nativos do elemento água podem fazer o seguinte ritual.

Providencie um vaso com flores plantadas (tipo os de crisântemos) da cor de sua preferência ou coloridos. Retire a embalagem e deixe só no vaso simples.
Coloque esse vaso em cima de uma bandeja ou prato de vidro transparente grande (pode ser uma bandeja de metal)
Dentro do vaso, em volta das flores, espete 7 incensos de canela, cravo, laranja, ou maçã verde)
Em volta do vaso, coloque 7 velas pequeninas (tipo as usadas para aromatizadores de ambiente) podem ser coloridas ou brancas.

Deixe preparado antes e acenda pertinho da virada do ano, fazendo todos os seus pedidos.

Simpatia para os nativos de aquário, libra e gêmeos para o reveillon

Para que esses nativos do elemento ar tenham mais equilíbrio em 2012, com mais atração de sorte, prosperidade, az e amor, podem fazer o seguinte ritual no dia 31 de dezembro.

Um vidro largo
8 velas pequenas todas brancas ou coloridas.(tipo as redondinhas usadas em aromatizadores)
água mineral
8 pedras pequenas (quartzo branco, quartzo rosa, citrino amarelo , ágata, turmalina preta, turmalina verde, sodalita azul) Caso não consiga todas, pode repetir algumas, totalizando 8.
Coloque a água no vidro, em seguida as pedras e as velinhas.
Mais ou menos 5 minutos antes da virada do ano, acenda as velas e faça seus pedidos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Simpatia para os nativos de capricórnio, virgem e touro


Para iniciarem o ano de 2012 com mais entusiasmo os capricornianos, virginianos e taurinos devem fazer a seguinte simpatia.
Adquira velas que durem 12 horas nas seguintes cores: vermelha, laranja. amarela, verde, rosa, azul clara, azul escura e lilás. E suportes para velas.

Na sexta feira, 31 de dezembro de 2011, às 14:00 horas em ponto acenda as velas.
Olhe fixamente em cada uma no momento em que estiver acendendo e peça:



Vermelha: força, entusiasmo, coragem, determinação
Laranja: criatividade, bom humor, mudanças positivas
Amarela: autoestima, equilíbrio
Verde: saúde física
Rosa: amor, romance, renovação, reconciliação
Azul clara: harmonia familiar, facilidade de comunicação, entendimentos
Azul escura: Força espiritual, intuição, orientação, fé
Lilás: Merecimento, aprimoramento moral, capacidade de doação, perdão, luz.

Essas velas devem ser compradas em lojas de produtos umbandistas ou esotéricos. E devem ser as que duram 12 horas. Ainda estarão acesas na passagem do ano.
Coloque-as em local apropriado. Se os pedidos incluírem toda a família, elas podem ficar na sala, onde achar mais conveniente. Certifique-se de que estão bem firmes e em local seguro.

Podem ainda fazer parte de um arranjo com flores e frutas, use sua criatividade, o importante é que sejam acesas e estejam acesas com o romper do ano.

Se não conseguir achar as velas que duram 12 horas, compre as maiores que conseguir e acenda-as às 21:00horas.

domingo, 20 de novembro de 2011

Programa para trazer seu amor de volta em 2012


Se seu amor foi embora, você tem 3 opções:
-Entregar-se e viver para sempre no fundo do poço.
-Esquecer e procurar outro amor.
-Lutar para reconquistá-lo, mas renovando a si mesma e aumentando a sua autoestima.

Se você tinha um relacionamento em que viva junto com a pessoa, tipo um casamento, irá proceder da seguinte forma.

Previsões Astrológicas 2012: Peixes

O psiquismo do pisciano será mais vulnerável em 2012. Isso pode refletir especialmente nas crenças religiosas e na sensibilidade espiritual e mediúnica.

Sua saúde pode ser afetada por conflitos, pessoas carregadas, ambientes pesados, energias negativas em geral. Procure ajuda profissional mais adequada as suas crenças: médico, psiquiatra, terapeuta, místicos, líderes religiosos, etc.

Previsões Astrológicas 2012: Aquário

O aquariano estará cheio de planos e idéias novas em 2012. A criatividade será beneficiada. O problema será a instabilidade oscilante e vontade de iniciar coisas novas sem concluir as anteriores.

Novos romances, namoros, casos e casamentos. A vida amorosa será bem movimentada. Amigos que poder virar namorados.

Previsões Astrológicas 2012: Capricórnio

Querido capricorniano, não caia na armadilha da melancolia, pois se entrar nesse padrão vibratório, pois ele pode crescer muito trazendo depressão profunda. Então nem deixe começar. Quando sentir que está começando a ficar triste e sem energia, tome um banho de ervas, faça uma caminhada, vá a uma instituição religiosa, leia livros positivos, faça trabalhos voluntários, etc.

previsões astrológicas 2012: Sagitário

A vida do sagitariano passará por muitas mudanças do final de 2011 até o final de 2012.
Algumas serão bem vindas, em situações desgastadas e estagnadas. Outras porem serão repentinas e não programadas o que pode gerar um certo desconforto, instabilidade e insegurança.

Previsões Astrológicas 2012: Escorpião

Escorpião


Amor: renovação de relacionamentos e novos romances chegando. Você estará vibrando numa energia mais leve e atrairá pessoas melhores e que podem lhe fazer mais feliz. Os relacionamentos antigos também serão beneficiados. A vida romântica do escorpiano estará muito beneficiada em 2012.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

RESGATANDO O AMOR E A ÉTICA NAS RELAÇÕES


Os relacionamentos humanos estão em crise. Crise porque está acontecendo grande transformação na forma de se desempenhar os papéis sociais, sejam papéis como pais, sejam como homem e mulher e todos os outros.
Crise porque nesta transformação de papéis não se sabe claramente o que pode ou não pode, o que é certo ou o que é errado fazer ou exigir numa relação. Mas, a pior de todas as crises é a crise moral e ética em que vivemos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

SEXO E SOCIEDADE

O Poder Destrutivo De Uma Sociedade Sexualmente Doente

Autor: Géssica Hellmann

Reich alerta sobre a peste emocional e suas conseqüências arrasadoras.
Pensamos agora em todos os crimes contra a humanidade provocados por seres como nós, "Zés Ninguéns". Destruímos o belo, o natural, o divino em nome de nosso próprio egoísmo. Voltamos um pouco ao passado. No genocídio do povo judeu, o holocausto.
"E quando arrastas milhares de homens, mulheres e crianças para as câmaras de gás, mais não fazes que cumprir o que te mandam, não é assim, Zé Ninguém?
És tão inofensivo que nem sequer te dás conta do que se passa.
És um pobre diabo que nada tem a dizer, sem opinião própria; quem és tu para te meteres na política?" (Reich, 1982:77).
Voltemos ainda mais um pouco no tempo, quando a mulher era a personagem central, numa sociedade matriarcal em que não havia divisão entre os sexos no poder.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A INTIMIDADE PRECISA SER BEM CUIDADA


Por Lícia Egger Moellwald
consultora na área de Treinamento Corporativo e doutoranda
em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP.


Os tempos mudaram, é verdade, mas a idéia de um casal (jovem ou velho),
com compromisso sério ou nem tanto, ser displicente com aparência na
intimidade é muito triste.
De modo geral, tanto homens como mulheres, no início de seus relaciona-
mentos, costumam dar "aquela caprichada" no visual.
Eles não poupam esforços para ficar mais atraentes.
Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar se de contente; é um cuidar que ganha em se perder.É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade.Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luis de Camões

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