segunda-feira, 9 de maio de 2011

A MULHER CONTEMPORÂNEA E SEUS PRAZERES

Autor: Renato Dias Martino

A mulheres contemporânea e seus prazeres.


A única forma de criar espaço para si é libertando-se do (o) outro. Não se pode trabalhar com alguém no colo e esse modelo que proponho aqui pretende transcender o nível concreto ou perceptível pelos sentidos, onde cada quilo que o bebê ganha é também um sinal de que se inicia o tempo de andar com suas próprias pernas. Esse tipo de fantasia de onipotência em que provavelmente vive a mulher pós-moderna ou contemporânea, pode estar sacrificando uma parte importante de sua saúde e também impedindo que o outro (filho, marido) descubra sua função e desenvolva suas capacidades para exercê-la. Aquela que nunca se sentiu realmente desejada, pode encontrar na maternidade uma chance disso. Contudo, corre o risco de odiar e lutar contra tudo que aparecer no filho que possa capacitá-lo para algo mais do que ser simplesmente filho. Ou até mesmo impedir-se outro tipo de vinculo que não seja ser mãe de... , sob a imaginação (construída antes da maternidade) de que de outra forma não será valorizada. Ela faz de tudo para o outro e se nutre da sensação de poder; o outro se aproveita dessa situação prazerosa, entretanto, não se desenvolve (cria uma impressão de um ser impotente e dependente em suas realizações). Até por que a demasia de quefazeres pode ser um indicativo de um outro processo perigoso. Uma forma perversa de vinculo com sigo mesmo e logo, com o outro. Falo aqui da evitação do “auto conhecimento”. Esse processo doloroso que muitas vezes é recoberto pelas tarefas de ser mãe.
Muitas vezes o excesso de trabalho é uma característica encontrada na vida daquele que tem muita dificuldade em se relacionar com sua sexualidade. O trabalho, enquanto tarefa diária acaba por se tornar um tipo de referencial de reconhecimento do sujeito frente ao outro e a si mesmo. É daí que o sujeito busca reconhecimento e auto reconhecimento quanto a sua potencia, capacidade e desempenho. A psicanálise de Sigmund Freud (1856–1939) nos ensina que a civilização e todo o bem estar que esse sistema pode nos trazer vem exatamente da dessexualização dos impulsos (sublimação) que se transformam através da repressão e posteriormente elaboração, em bem comum ou algo que contribua com a realidade, em ultima instancia o realizar. Todavia, aqui proponho algo que se estrutura de uma forma extrema, onde a aversão ao sexo trabalha a favor de certa forma de patologia psíquica. Constrói-se assim um substituto da atividade sexual, entretanto um substituto perigoso, pois o objetivo final nunca é alcançado como o em sua finalidade, forçando o sujeito a trabalhar cada vez mais, até por que, assim tem um outro beneficio, se vê afastado do próprio sexo enquanto trabalha.
Agora, inundada pelas preocupações, ela chega a fingir o orgasmo, apenas para satisfazer temporariamente um ego imaturo. Percebemos por esse exemplo, uma questão emocional bastante seria. Percebemos assim, o sexo sendo trocado pelo trabalho num contorno muito injusto se pensarmos no desenvolvimento do próprio ego. Percebe-se como o momento do próprio gozo (em forma de dissimulação) transforma-se em mais uma obrigação, para que possa receber a aceitação ou aprovação, seja do outro ou de si mesmo.
A realização só pode vir daquilo que é real, e o real só é conhecido através da experiência, logo, para nos tornarmos reais e dignos de realizações temos que conhecer-nos a nós mesmos pela experiência. Quando nos propomos estudar o pensamento pelo vértice do psicanalista Wilfred R. Bion (1897-1979), percebemos que é só assim que seremos reais, ou seja, conhecendo nossa própria realidade. De outra forma, viveremos como imaginamos ser. Exatamente como a ilusão da super-mulher, que faz de tudo e mais um pouco, mas, desvia-se de si mesmo, deixa uma parte de si própria pra traz, descuidada.
O relacionamento com o outro é uma extensão do relacionamento com sigo mesmo e tanto um como outro sempre são compreendidos no nível da necessidade. Necessidade do aparelho psíquico de manutenção e nutrição. Enquanto o corpo nutre-se de comida, a alma se alimenta de verdade e isso é inexorável, já que nunca temos uma verdade final, concluída, ou acabada. É exatamente do relacionamento com o outro que se extrai a realidade, a verdade. Se o sujeito não encontra tempo para se relacionar com o outro, não faz mais nada nesse mundo e sua alma definhará desnutrida, logo adoecerá. Dessa forma anda-se em círculos. Não tem narrativa de vida, não cria a própria histórias pra contar. Não percebe que fica cada dia mais longe da própria realidade, único lugar onde se pode realizar. De uma forma ampla, não se vive. A vida é feita, ou construída de afeto pela realidade, amor à verdade.
Se estivermos a meditar sobre dupla, então sempre se tem cinqüenta por cento de responsabilidade para cada lado. Se existe alguém fazendo por dois é por que tem um que não faz nada. Se alguém está vivendo sem pensar é por que alguém pensa por ele. Jaques Lacan (1901-1980), seguidor francês de Freud, aborda uma questão muito importante quando propõem que não é só o neurótico que se beneficia de seus sintoma, mas também aquele que se relaciona com ele. Assim, é muito importante que cada um possa assumir seu papel para que não se instale um modelo onde exista um acumulo de funções. A única relação onde um pensa pelo outro é aquela onde o bebê ainda não é capaz de tal tarefa.
Renato Dias Martino - Psicólogo e Psicoterapeuta
CRP - 06-75558 Fone: 17-30113866 renatodmartino@ig.com.br
http://www.artigonal.com/psicoterapia-artigos/a-mulher-contemporanea-e-seus-prazeres-486379.html
Perfil do Autor

Pensante psicanálise enquanto práxis de uma certa filosofia.

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Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer.É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar se de contente; é um cuidar que ganha em se perder.É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade.Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? Luis de Camões

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